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Um novo tempo de democracia via internet

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A democracia nasceu e se desenvolveu por volta do século V AEC, em Atenas; foi transportada para a Roma Antiga; teve seu momento de baixa na longa Idade Média, e renasceu com a burguesia europeia, especialmente a partir do século XVIII. Nessa última fase, teve suas premissas aperfeiçoadas e suas instituições definidas de modo que, bem ou mal, pudéssemos estar ainda vivendo sob sua tutela até hoje nos países do Ocidente. Mas o que todas essas democracias, em distintas fases e peculiaridades tiveram em comum, paradoxalmente, foi a completa ausência de povo no poder – contemplado apenas na letra morta das cartas constitucionais como uma figura abstrata que supostamente seria ao mesmo tempo o executor e alvo, em nome do qual se governa. E a coisa seria ainda pior, se não fossem as lutas organizadas dos trabalhadores nos últimos 150 anos, que arrancaram das classes dominantes conquistas importantes como o voto feminino, a possibilidade de se eleger independentemente da renda, direito de for...

Minhas impressões sobre os protestos no Brasil

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  O que não faltam nas redes sociais e na internet, de um modo geral, são relatos, opiniões, artigos, resenhas, críticas, apoios e todo tipo de posição sobre os últimos acontecimentos que vêm tomando conta do país inteiro. Eu também não poderia deixar de relatar as minhas impressões sobre tudo o que vem acontecendo nas manifestações que começaram com protestos contra o aumento das passagens de ônibus em todo Brasil. Primeiro, como uma pessoa interessada diretamente no que acontece na política nacional, e, segundo, porque é mais um elemento adicionado para contribuir para a reflexão daqueles que pretendem entender melhor a conjuntura atual do nosso país. São breves relatos resumidos sobre diferentes tópicos, para facilitar melhor a leitura daqueles interessados nesse assunto. * * * Ninguém pode dizer ao certo como os protestos chegaram a tamanha proporção. Cientistas sociais e o próprio governo se esforçam para entender a direção e a força do movimento, que começou po...

Democracia e a Doutrina da Segurança Nacional

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Durante o período da Guerra Fria, a democracia se tornava um empecilho grande demais para o controle mais firme dos cidadãos nos Estados Unidos. Sem poder abdicar do lucrativo e publicitário título de “baluarte da democracia e da liberdade mundial”, a solução para cercear a privacidade e os direitos individuais da população estadunidense foi a criação da Doutrina de Segurança Nacional. De inspiração positivista-funcionalista, essa doutrina tem como base a conservação da sociedade como um organismo, onde cada indivíduo contribui para o harmônico funcionamento da coletividade como um todo. Assim, os elementos ditos “indesejáveis” seriam vistos como uma “doença” social e deveriam ser combatidos e eliminados. Essa doutrina foi exportada para o Brasil nos anos 50 através das inúmeras alianças entre o Brasil e os Estados Unidos contra um suposto perigo comunista, e coube como uma luva para justificar o Golpe Civil-Militar no Brasil em 1964, já que a Doutrina da Segurança Nacional é um ataqu...

Manifestações, repressão e polícia no Brasil

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Nunca o brasileiro fez tão seu o direito de se manifestar como nos últimos tempos. Já tivemos grandes mobilizações políticas no passado, como as Diretas Já e os Caras Pintadas que foram às ruas pelo impeachment do ex-presidente Collor – para ficarmos só nos casos mais recentes –, mas de uns anos pra cá, as manifestações ficaram bem mais frequentes, embora com características bem diferentes: hoje há manifestações e marchas para todos os lados, como a Marcha do Orgulho Gay, as Marchas para Jesus, pelos direitos das mulheres, dos negros ou para a legalização da maconha, entre outras. Mas essa diversificação de manifestações causou a fragmentação das demandas, e por isso, perdeu-se bastante da força também, como era de se esperar. Hoje em dia ainda acontecem também manifestações populares com temática política e social no Brasil. São as que contam, geralmente, com o menor número de participantes – certamente devido justamente a essa fragmentação dos protestos em temáticas restritas –, mas ...

Um Novo partido velho (e não é da Marina)

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O TSE acaba de oficializar a criação do trigésimo terceiro partido político no Brasil. Trata-se do “Novo”, que utilizará o número 30 na disputa eleitoral e é presidido pelo banqueiro ligado ao Itaú, João Amoedo. O que tem de “novo” um partido de direita com propostas neoliberais na política e na economia? Tempos atrás, esperando mais de meia-hora na fila quilométrica do 846 na Rodoviária de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, percebi jovens com pranchetas abordando as pessoas. Quando um deles veio falar comigo, pude perceber do que se tratava: era o recolhimento de assinaturas para a formação de mais um novo partido político, que se chama... “Novo”. Fui querer saber do jovem que partido era esse, qual a sua linha ideológica, quem está por trás disso, etc. – aliás, coisa que qualquer um deveria perguntar antes de sair colocando sua assinatura em qualquer lugar, mas que não foi o que aconteceu – e a única resposta que obtive foi que eu estaria ajudando a formar “o primeiro partido fic...

Pobreza gera violência? Depende

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A violência nas grandes cidades e na sociedade brasileira, de modo geral, está tão presente no nosso cotidiano, que temos dificuldade de tomar a devida distância para torná-la objeto de reflexão. Estamos tão acostumados com ela, que podemos nos chocar com um ou outro evento isolado – que suscitam reações como as campanhas fascistas pela diminuição da maioridade penal – mas já não nos surpreendemos mais com sua onipresença. Aliás, é justamente por essa dificuldade que vemos tais opiniões distorcidas, tão superficiais e no entanto, carregadas de certezas de serem a verdadeira solução para todos os problemas sociais. É preciso deixar de lado o comodismo das opiniões fáceis, para, além de deixar de ser massa de manobra de setores conservadores, poder entender melhor os problemas do nosso país e propor soluções mais certeiras. Pobreza e violência É muito comum entre os brasileiros a ideia de que a violência é fruto direto da desigualdade, da distribuição injusta de renda, da dificuldade d...

Marina Silva fora do seu tempo

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A ex-senadora que se deslumbrou com a ideia de ser a terceira força na política nacional, mas que sofre para recolher as 500 mil assinaturas necessárias para a fundação de seu partido de centro-direita, Marina Silva, achou que ainda dava tempo de meter a colher e palpitar sobre os infelizes comentários e projetos do pastor Marco Feliciano. Ontem, na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), a ex-verde declarou que o parlamentar estava sendo “hostilizado mais por ser evangélico do que por suas declarações equivocadas”. Segundo a nobre ex-senadora conservadora e evangélica, estaria havendo uma substituição do preconceito contra gays em nome do preconceito contra evangélicos. E então, mutatis mutandis , temos que tudo não passa de uma injusta perseguição contra o pastor presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Bom, já são suficientes as frases, citações, vídeos, opiniões, entrevistas, insanidades, baboseiras, gravações de cinegrafista amador, boatos e etc., do pastor ...

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