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Moro está nu!

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  E xiste uma antiga fábula, adaptada pelo escritor dinamarquês Hans Christian Andersen em meados do século XIX, que fala sobre um falso alfaiate que produziu uma roupa especial para o rei, que só os inteligentes poderiam ver.  Durante algum tempo, o alfaiate fingia trabalhar em seu ateliê num tecido que obviamente não existia, e as pessoas, admiradas com os movimentos do artesão no ar, fingiam ver pela janela o tecido ser cortado, costurado, arrumado, para não parecerem estúpidas aos olhos dos outros.  Até que, um dia, o ansioso rei fez uma visita ao ateliê para ver a tal roupa especial de uma vez. Diante de um balcão vazio, o rei exclamou " que lindas vestes ", com medo de parecer idiota diante de seus súditos. Foi então que marcou um desfile real para que todos pudessem admirar sua nova vestimenta.  Durante o evento, uma criança inocente exclamou " o rei está nu! ", e diante da sinceridade pueril do pirralho, de pouco em pouco todos passaram a admitir que não via

A Casa de Papel, opinião pública e a perigosa destruição de reputações

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  "Berlim", o líder dos sequestradores na casa da moeda A Casa de Papel voltou a ser assunto nesta semana, por conta da exibição dos últimos episódios da última temporada na Netflix , que encerrou uma das mais bem sucedidas séries do streaming . Aproveitando isso e o fato de eu estar assistindo esse fenômeno de popularidade pela primeira vez, com atraso, eu venho trazer uma discussão: qual o limite de uma autoridade pública mentir deliberadamente para conseguir algum suposto benefício do bem comum?  O tópico em questão foi inspirado num evento ocorrido no oitavo episódio (a partir de 24:09) da primeira temporada. Naquela ocasião, os investigadores e a equipe policial tinham acabado de descobrir a identidade de um dos líderes dos assaltantes-sequestradores, que usava o codinome Berlim.   A partir daí, a negociadora da polícia, Raquel, decidiu que usaria a imprensa para jogar a opinião pública contra os delinquentes, vazando a ficha criminosa do " excêntrico " Berlim

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Devemos nos preocupar com o futuro que os nerds estão criando para nós?

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  C omo será o mundo agora que os nerds parecem ter tomado o lugar dos brutamontes na história?  Desde que o primeiro hominídeo pegou um osso alongado de alguma caça e percebeu que poderia transformar aquele objeto em arma, que nós vivemos sob a influência da agressividade , do medo e da guerra nas relações humanas. Civilizações inteiras foram criadas com base nessas premissas, onde os valores pessoais relacionados a estas características foram enfatizados. Eram conceitos que fizeram o homem, mais equipado para este tipo de sociedade, suplantar a sensibilidade e a intuição femininas como ideais a serem resguardados.  Com isso, extrapolando-se da mera relação interpessoal, a lei do mais forte passou dos clãs às tribos, das tribos às aldeias, das aldeias às cidades, e das cidades aos estados modernos, mantendo-se o permanente estado de rivalidade, agressividade e animosidade contra os vizinhos. Nem sequer o Iluminismo e o liberalismo burguês , no século XVIII, com suas regras de cond

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Nomeação de André Mendonça deveria preocupar Lula

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Aliados de outrora, evangélicos foram apoiadores do golpe no Congresso J air Messias prometeu e cumpriu. E também comemorou nas redes sociais o que considerou uma vitória pessoal. Emplacou o seu ministro " terrivelmente evangélico " dentro do Supremo Tribunal Federal . Quais as consequências disso para o Brasil, e especialmente para um possível novo mandato de Lula , a partir de 2023?  Há muitas coisas a se considerar nesta nomeação de André Mendonça para o STF.  Antes de mais nada, deveria um presidente da República nomear ministros do Supremo Tribunal Federal?  Existe uma formalidade chamada sabatina que ocorre no Senado, onde o candidato à vaga no STF precisa responder uma série de questões para ser aprovado. No entanto, sabemos que aquilo não passa de mera encenação. Desde 1894 todos os postulantes ao cargo foram aprovados . Somente cinco não foram até hoje , todos neste mesmo ano de 1894. Isto quer dizer que há 127 anos o presidente da República nomeia tranquilamente mi

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Vivendo uma rotina de violência, carioca recorre à sua única arma: o sarcasmo

A irreverência do carioca em situações desfavoráveis é conhecida desde, pelo menos, a chegada da família real portuguesa na cidade, em 1808. Naquela ocasião, o Rio de Janeiro contava apenas com 50 mil habitantes, convivendo já com graves problemas estruturais.  Do dia para a noite, Dona Maria, Dom João e sua recém-chegada corte  acrescentaram um contingente extra de 15 mil almas na cidade, que precisavam ser alocadas em residências imediatamente. Devido à falta de moradas disponíveis, a metrópole estabeleceu compulsoriamente as casas que os moradores locais deveriam abandonar para receber os portugueses. Era pintado um PR (" Príncipe Regente ") nas portas destas casas, indicando quais deveriam ser disponibilizadas. Mas, entre o populacho, começou a circular o rumor que esta sigla significava, na verdade, " Ponha-se na Rua ", um típico exemplo de como a ironia ajudava a aliviar, de alguma forma, o sofrimento imposto.  As décadas seguintes, porém, assistiram a uma in

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A trapaça da terceira via

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Nem Lula, nem Bolsonaro. Mas o quê? T erceira via, terceira via, terceira via... Desde que o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva reconquistou o direito de ser candidato a presidente da República — aliado ao fato de ser o líder de todas as pesquisas — que esta estranha obsessão da busca de uma terceira opção toma conta do cenário em diversos setores do país.  Mas quem são e o que propõem os candidatos até agora identificados nesta denominação?  Terceira via é um conceito bastante elástico, que vem servindo a diversos propósitos políticos ao longo do tempo. Historicamente, esteve ligada ao fascismo , quando setores reacionários da Europa buscavam uma alternativa econômica e política tanto ao liberalismo quanto ao comunismo . Depois, ressurgiu junto ao peronismo nos anos 40, e a partir dos anos 90, foi apropriada por políticos seguindo a linha do sociólogo inglês Anthony Giddens , a de (tentar) superar a supostamente anacrônica dicotomia " esquerda " e " direita &qu

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A guerra civil que nos aguarda em 2022

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Polícias Militares no novo golpe de 2022?  U m olhar de historiador sobre o momento que vive o nosso país é capaz de revelar que chegamos a uma fase de encruzilhada no Brasil. Como em poucos momentos na nossa história, teremos que enfrentar um ponto de ruptura institucional em 2022. As disputas pela sucessão presidencial, que muito provavelmente chegarão às raias de uma guerra civil , irão definir que país sairá da crise que se avizinha para as eleições de 2022 e após.  Exagero?  Basta olhar os diversos indícios que o presidente Jair Bolsonaro demonstra todos os dias. Talvez só no plebiscito de janeiro 1963, que definiu a volta do presidencialismo e dos plenos poderes ao presidente João Goulart, tivemos uma conspiração tão aberta nos antecedentes de uma crise. Naquela ocasião, o golpe empresarial-militar aconteceu também pouco mais de um ano depois, em abril de 1964, como se espera agora para outubro de 2022.  Se naquela ocasião a justificativa foi um " golpe preventivo "

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