Postagens

Como as mídias influenciam nossas opiniões e interferem na democracia

Todos nós estamos muito acostumados a culpar a falta de interesse do povo na política como causa principal de todos os nossos problemas. De fato, o brasileiro médio é passivo, alienado e alheio qualquer tipo de participação e envolvimento com a política. Mas até que ponto ele é o vilão da história? Será que ele não é vítima de um sistema que subverte o papel dos meios de comunicação, que molda a sua forma de ver o mundo? Muitas pessoas têm a tendência de acreditar que as mídias apresentam os fatos de forma neutra, imparcial, sem nenhum interesse no que é veiculado. Essa crença é o primeiro passo rumo a uma perda de autonomia crítica frente ao mundo. Delegamos a terceiros a tarefa de pensar por nós sobre o que queremos. As mídias estão completamente inseridas no jogo comercial do mercado. Sua função básica há muito tempo deixou de ser a informação e passou a ser o controle da opinião pública, para domesticar nossa visão de mundo, criando o consenso e o consumidor dos produtos que são ...

Superação do capitalismo: uma certeza, muitas dúvidas

Imagem
    Fechando as postagens que pretenderam mostrar até aqui como começou e para onde está indo o atual movimento mundial de contestação ao capitalismo, chegou a hora de ver as características das reivindicações, suas formas de atuação, suas conquistas e seus rumos daqui por diante.   Uma certeza que marca os protestos dos diversos movimentos sociais pelo mundo: o capitalismo e o mercado fracassaram rotundamente em suas promessas de gerar riquezas e prosperidade para todos . As dúvidas: qual das dezenas e dezenas de propostas é ideal para superar este modelo? Existe alguma? Deveria haver uma conjunção de propostas? O que manter? O que descartar? Infelizmente, parece que as pessoas que contestam o sistema andam falhando em deixar claras essas respostas.   Conforme foi mostrado na segunda postagem sobre a série , a grande maioria desses novos movimentos, fragmentários e diversificados, teve inspiração no movimento zapatista, cuja figura mais destacada é a do subcom...

Movimento Zapatista, o embrião do movimento anticapitalista atual

Imagem
  A onda neoliberal que varreu diversos países da América Latina nos anos 90 foi ainda mais destrutiva no México. O acordo de livre comércio dos países da América do Norte (NAFTA) e a revogação do Artigo 27 da Constituição revolucionária mexicana de 1917 selou o desmonte dos ejidos , uma conquista dos tradicionais indígenas camponeses mexicanos. A solução encontrada foi a revolta, o protesto, a guerrilha. Mas de uma forma diferente do que até então se conhecia.   Em 1º de janeiro de 1994, à meia-noite, o presidente mexicano Carlos Salinas brindava com correligionários num resort particular na costa do Pacífico a entrada em vigor do NAFTA (Salinas assinando o acordo na imagem à direita). No mesmo dia, na mesma hora, a 800 quilômetros dali, 3 mil camponeses indígenas com máscaras de esquiar saíram das florestas de Chiapas e marcharam sobre 7 cidades do estado mais pobre do México. Em San Cristóbal de las Casas , fincaram a bandeira preta com quatro letras vermelhas do movim...

NSA: diga adeus aos dias de liberdade e privacidade na internet

Imagem
Cuidado, muito cuidado... Nós sempre desconfiamos de que todos os nossos passos estavam sendo rastreados na internet pelos órgãos de espionagem governamentais. A partir de agora, isso sai do terreno da especulação e entra no da certeza: está sendo construída no deserto de Utah a sede da NSA (Agência Nacional de Segurança) dos Estados Unidos, cuja função é saber tudo o que fazemos na rede mundial de computadores. A internet começou promissora. Livre, democrática, espontânea, era o símbolo dos novos tempos pós-modernos (sejam eles louváveis ou não), onde as barreiras vão sendo quebradas — a começar pelo Muro de Berlim. Mas nos últimos tempos, a sanha do autoritarismo e da patrulha dos governos do Ocidente ameaçou a privacidade dos internautas pelo mundo afora. O Congresso americano, logo ele, bastião da retórica da liberdade e da democracia, discute leis com acrônimos esquisitos — PIPA e SOPA — para censura e controle da internet sob o pretexto de defender a propriedade intele...

Trabalho, senso-comum e ideologia dominante

Imagem
    Muitos de nós temos nossas opiniões sobre diversos assuntos do dia-a-dia. Damos nossos pitacos sobre futebol, falamos sobre nossos gostos, apoiamos ou criticamos alguma religião... até aí, tudo bem. Uma sociedade multicultural é uma sociedade com muitos pontos de vista. Como já dizia o jornalista Walter Lippmann, “Quando todos pensam igual, ninguém está pensando”. Mas quantas vezes paramos para analisar até que ponto nossas opiniões são realmente nossas, fruto de uma reflexão e uma conclusão bem feitas, ou apenas meras reproduções da opinião geral, conhecida como senso-comum?   O senso-comum é recheado de frases feitas, que são consideradas “verdades da sabedoria popular”. Mas essas frases muitas vezes escondem uma visão de classe, contendo uma ideologia por trás da sua fachada neutra. Vamos ver um exemplo muito conhecido:   “O Trabalho dignifica o homem”   De fato, esta afirmação não é falsa. Olhe para uma cidade: agora imagine que você possa retir...

Que tipo de Ordem? Para o Progresso de quem?

Imagem
São perguntas que deveríamos fazer para compreender os nossos problemas. Também perguntar como estas duas ideias foram parar na nossa bandeira, porque, saibamos ou não, elas tem um peso enorme naquilo que diz respeito a tudo que nos caracteriza como sociedade brasileira hoje, com todas as injustiças e desigualdades que representam. Ordem e Progresso é o lema do positivismo, escola de pensamento fundada pelo francês Auguste Comte (imagem ao lado) no século XIX. Desde sua origem, teve como característica a essência aristocrática, intelectual e elitista, que tanto caiu no gosto das nossas classes dominantes desde o Império. Haviam três correntes republicanas então. Duas delas — liberal-federalista e jacobina — admitiam uma maior participação política do povo. A outra — positivista — era a única que não previa nenhum papel ativo para a população na República. Em 1889, com o golpe que derrubou a Monarquia, prevaleceu a tendência elitista. Os políticos positivistas brasile...

Por que precisamos de uma Lei da Palmada

Imagem
É bastante sintomático o fato da maioria dos parlamentares que se opõem à chamada Lei da Palmada fazerem parte das alas mais conservadoras do Congresso. Jair Bolsonaro e a bancada religiosa são representantes de uma tradição arcaica no Brasil e veem com grandes reservas a lei que proíbe os pais de baterem nos filhos. Mas isso não pode ser mais tolerado em nossa sociedade É fato que, no Brasil, o peso da tradição cultural de certas práticas faz com que demoremos a nos adaptar a novos tempos. É por isso que ainda temos tanto preconceito, tanto machismo entre nós, tanta violência contra a criança e contra a mulher. É por isso também que certos comportamentos, que em outros países seriam naturalmente descartados em favor de outros mais condizentes com nova realidade, aqui precisam de leis para serem postos em prática. Será que alguém precisa de lei para saber que usar cinto de segurança salva vidas? Será que precisamos de multa para saber que não podemos beber e dirigir? Será que...

Gostou do blog e quer ajudar?