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A persistente presença autoritária na democracia tutelada brasileira

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Em 1988, o país promulgou a sua primeira Constituição pós-Ditadura, aquela que viria a ser chamada de Cidadã – em seus artigos realmente existem muito mais menções a direitos do que a obrigações – e que até hoje vigora. Se, de fato, a Carta Magna trouxe avanços incontestáveis, em pelo menos três áreas o país não conseguiu avançar num ritmo aceitável: na regulamentação das comunicações, na Reforma Agrária e nos entulhos autoritários da época da Ditadura que, por pressão dos militares, foram mantidos ou inseridos no documento. A influência militar na Carta Magna de 88 A Constituição de 1988 falhou miseravelmente em democratizar as relações civis-militares no período pós-Ditadura, pois a longa transição para a democracia, sob a tutela das próprias Forças Armadas, que se consideram fiadoras da Nova República, propiciaram um ambiente perfeito para a manutenção de muitas prerrogativas castrenses. Podemos atestar essa condição em diversas situações: no acordo secreto que Tancredo Neve...

A história ensina

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Da série " O tempo é o senhor da razão ": Em 1964, as Forças Armadas derrubaram um governo que, entre outras bandeiras, tinha a defesa da Reforma Agrária. Naqueles tempos (e isso não mudou), possuir terras era uma forma de poder, e como tudo neste país, elas estavam concentradas nas mãos de uns poucos latifundiários, enquanto grande parte da população rural padecia de falta de oportunidades para trabalhar.  Hoje, 50 anos depois, a Reforma Agrária ainda não é uma realidade plena, mas, ironicamente, quem alimenta os militares do Ministério da Defesa é a Agricultura Familiar , através de acordos promovidos pelo governo com algumas famílias agricultoras ao redor de Brasília. Duas vezes por semana, elas fornecem uma variedade de alimentos que o governo compra para abastecer os refeitórios do Ministério.  E pensar que os militares lutaram pela manutenção dos latifúndios nos anos 60… Talvez eles preferissem estar comendo dia após dia ração de soja com suco de laranja. Transgênica...

Pezão, um estranho fenômeno de repentina popularidade

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Naqueles memoráveis dias de junho do ano passado, o Brasil foi às ruas protestar. O que começou como uma campanha contra o aumento de 20 centavos na tarifa dos transportes se transformou num movimento de massas, e os protestos então se voltaram para variados temas, em especial a corrupção . No Rio de Janeiro, no auge da indignação, mais de um milhão de pessoas direcionaram seus protestos ao então governador do Estado, Sérgio Cabral Filho. Responsável por um dos governos mais impopulares dos últimos tempos, avaliado como o pior governante do país inteiro, o político sentiu a pressão: saiu antes de terminar o mandato, e teve sua candidatura ao senado abortada pela sua descomunal taxa de rejeição. Por tudo isso, seu insosso e até então desconhecido vice, Luiz Fernando Pezão, assumiu o governo e foi lançado às pressas na sua própria campanha para o próximo mandato. Como não podia ser diferente, começou sem nenhum prestígio, na faixa dos 5 por cento de intenções de voto, muito abaixo dos...

PSDB e Globo em queda livre. Bom sinal para o país

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Na próxima eleição, que certamente será levada ao segundo turno na disputa nacional, pela primeira vez o PSDB não estará nela. Sondagens de especialistas têm mostrado que os tucanos sairão bem menores da disputa eleitoral do que entraram. A legenda vai encolher na Câmara, no Senado e entre os governadores eleitos. A mídia conservadora já notou o fenômeno e ligou o alerta: Ilmar Franco pergunta n'O Globo: para onde vai o PSDB ? Essa é uma pergunta difícil de responder. Se o PSDB vai encolher por culpa direta de seu candidato principal, Aécio Neves, que está prestes a protagonizar um dos maiores fiascos dos últimos tempos, ficando de fora do segundo-turno e não conseguindo fazer seu candidato se eleger em seu próprio Estado, então o partido ainda tem salvação. Seria difícil uma reformulação total e uma renovação de quadros dentro do partido, quando Aécio se juntar a nomes que desfrutam de uma colossal rejeição nacional (Fernando Henrique Cardoso) ou que emplacaram uma série de derr...

Se pode a bíblia, também pode livro satânico

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Por que é tão difícil compreender o princípio da laicidade em sociedades como a nossa? Porque líderes religiosos agem de má-fé (ao pé da letra ) ao combater o laicismo para defender seus interesses econômicos disfarçados de obra religiosa? Porque o assunto não é debatido com seriedade nos meios de comunicação? Porque as pessoas não tem o menor interesse no assunto? Pensando nisso, talvez seja necessário mostrar com exemplos práticos, e também com um certo impacto, a importância do tema. Foi isso que um grupo que defende o secularismo fez nos Estados Unidos. O Conselho Escolar do Condado Orange, na Flórida, numa clara violação do princípio da laicidade, permitiu a distribuição de bíblias nas escolas locais. Para protestar contra esse absurdo, o grupo chamado Templo Satânico resolveu protestar de forma criativa: imprimir e distribuir livros de colorir com temas pagãos e satânicos entre os alunos. A intenção é nobre: ao contrário dos cristãos, que insistem em fazer proselitismo em ambie...

Meritocracia (charge)

Publicação by Panorâmica Social .

É contra o Trabalho Escravo? Então não eleja os seguintes deputados

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Ano de eleição é sempre a mesma coisa: deputados pedem votos prometendo atuar em nome dos interesses dos eleitores. O discurso quase nunca varia muito, e certamente a esmagadora maioria deles não põe em discussão temas importantes como taxação de grandes fortunas, despenalização do aborto, descriminalização das drogas, auditoria da dívida pública, defesa do Estado laico, Reforma Agrária ou outro assunto de interesse atual. Preferem um mantra genérico e sem nenhum compromisso específico: “mais emprego, segurança, saúde e educação”. Pior do que isso: quando eleitos, além de esquecerem as promessas, ainda atuam na contramão dos interesses da população, virando capachos do poder econômico. É assim que um grande número de deputados votou contra a aprovação da PEC do Trabalho Escravo em 2012. A chamada “bancada ruralista” tentou barrar o projeto que desapropria, para fins de Reforma Agrária, terras onde haja trabalho escravo, na concepção moderna do termo. Em nome de quem estavam atuando? ...

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