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As facadas na Lagoa e Um concurso de polícias

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O Rio de Janeiro tem sido local de inúmeros casos de esfaqueamentos nas últimas semanas. Ou talvez não. Talvez os casos sempre estiveram por aí, mas a mídia não estava prestando muita atenção e sem muito interesse em sua divulgação. Já tinham as balas perdidas a assombrar de medo a população carioca, naquela sórdida campanha mal dissimulada pela redução da maioridade penal. O clima de violência e medo sempre funcionaram bem a uma elite que tem no confronto armado, violento e o encarceramento em massa como as únicas soluções para a criminalidade. Mas depois que um médico da Lagoa foi vítima de tal modalidade de crime, aí a coisa mudou de figura. Hoje surgiu a notícia de que um terceiro menor de idade se entregou à polícia e assumiu a autoria do assalto em que o médico Jaime Gold foi morto a facadas, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no último dia 19 de maio. Mas e os outros menores, apreendidos pouco depois do crime e que haviam confessado participação no caso? Isso me lembra uma anedota...

O paradoxo dos carros

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Primeiro, o sistema capitalista e sua poderosa máquina de propaganda ideológica/consumista te induz, todos os dias, a ostentar algum símbolo de distinção social. Então você vai e compra um carro, um dos mais emblemáticos destes signos de status (na cabeça do brasileiro médio). O problema é que muitas outras pessoas também pensaram a mesma coisa que você, e então a cada dia os veículos entopem tanto a cidade, que a velocidade média de deslocamento nas grandes cidades, em pleno século XXI, é menor do que as passadas de uma galinha – estamos mais lentos hoje do que antes da invenção do automóvel, um tremendo paradoxo. Mas não é o único quando o assunto é carro. Segundo, o mesmo sistema que te diz que ter um carro é bom, reboca seu veículo se você não tiver onde guardá-lo. Mas onde você o guardaria, se cada vez mais os espaços urbanos estão sendo tomados por construções e – claro – mais e mais veículos? Outro paradoxo. Esse é o dilema que anda ocorrendo em regiões do Rio de Janeiro, esp...

Sete em cada dez brasileiros não leram um livro sequer ano passado

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Uma das notícias mais desalentadoras desses últimos dias foi a divulgação de uma pesquisa da Federação do Comércio do Rio de Janeiro sobre o número de leitores de livros no Brasil no ano passado : apenas 3 em cada 10 leram pelo menos um livro. Ou seja: 70 por cento dos brasileiros não leram um livro sequer no ano de 2014 . Isso é simplesmente estarrecedor. Aparentemente pode-se concluir que se trata de uma questão secundária: “ e daí que caiu o número de leitores? Temos o aumento do acesso à internet e isso compensa ”. Não, não compensa. Não é a mesma coisa. Assim como a TV nunca compensou. Um livro exige e privilegia a concentração, a dedicação de muitos minutos seguidos em um mesmo tema, e fornece assim um conhecimento profundo sobre determinado assunto. Já a internet, apesar de ter colocado à nossa disposição milhões de possibilidades de acesso à informação, transformou nossa capacidade de concentração em uma ervilha. Hoje os jovens não conseguem se concentrar em nenhuma tarefa p...

1964 e 2015: por que eles têm medo que o brasil vire uma “nova cuba”

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Jair Bolsonaro celebra o Golpe um dia antes com fogos e faixa em Brasília Há exatos 51 anos, a luta de classes e os conflitos sociais atingiam o ápice no Brasil. Na madrugada do dia 1º de abril de 1964, o general Olympio Mourão Filho conduzia as tropas do Exército, sediadas em Juiz de Fora, para depor o presidente João Goulart. A justificativa para um atentado tão grave contra a democracia foi salvar a pátria – e, em um nível mais elevado, até a “ civilização judaico-cristã ocidental ” – do “ perigo comunista ”. Mas por trás dessas supostas medidas heroicas, existem razões muito mais pragmáticas. O Golpe preventivo Desde 1961, com a renúncia de Jânio Quadros da presidência da República, os trabalhadores vinham se organizando nas cidades e nos campos em busca de direitos. Para as elites nacionais, herdeiras da ordem conservadora em que seus privilégios são considerados intocáveis há séculos, qualquer movimento que ameace essa condição deve ser combatida em todas as frentes. Foi ass...

Ditadura sádica: o caso Orlando Sabino

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D aqui a pouco mais de um mês, no próximo dia 1º de abril (e não em 31 de março, como os saudosos gostam de afirmar, constrangidos) completar-se-ão 53 anos do famigerado golpe empresarial-militar no Brasil. De modo geral, o episódio do golpe e alguns de seus desdobramentos mais evidentes são conhecidos de grande parte da população brasileira. Mas ainda há diversos fatos que, devido ao caráter secreto das ações e da falta de liberdade de imprensa de então, permanecem nas sombras, sendo muito vagarosamente divulgados ao conhecimento da opinião pública. Certamente é o caso do infeliz Orlando Sabino, e seu drama cruel vivido nos anos 70, em Minas. Assassinatos em série no Triângulo Mineiro Em 2006, o recentemente falecido jornalista Carlos Alberto Luppi publicou uma ficção com base em fatos reais chamada Dinastia das Sombras – O homem que matou Jesus Cristo , que acabo de ler. Pessoalmente achei a obra muito decepcionante, por conta do enredo emaranhado em épocas e lugares diferentes, ...

Mérito do governo: tentar trazer os insatisfeitos para a discussão da Reforma Política

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As milhares de pessoas que foram ontem às ruas tinham uma ideia geral do motivo pelos quais se mobilizaram a sair de casa: a corrupção que ganhou mais visibilidade atualmente por conta das investigações da Lava-Jato. O problema – para o governo Dilma – é que a multidão identificou no PT a causa de todos os males nacionais em se tratando do tema. Dando uma olhada nos cartazes e nas entrevistas dos participantes, as reivindicações foram das mais variadas: Impeachment, intervenção militar, fim da doutrinação marxista nas escolas (?!), defesa das privatizações, tudo isso como forma de combater a corrupção. Mas ninguém – ao menos que se tenha visto – sugeriu o fim do financiamento empresarial das campanhas políticas , o verdadeiro foco da corrupção na política nacional. Logo após as manifestações, coube ao Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e ao secretário da Presidência Miguel Rossetto o pronunciamento e a promessa de soluções, onde se comprometeram a enviar ao Congresso um pacot...

Patriotismo como forma de encobrir privilégios

http://almirfda.tumblr.com/post/113744038671/patriotismo-tosco

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