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A supremacia do Ocidente sobre o resto do mundo (2/2)

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N o final da última Era Glacial, há aproximadamente 12 mil anos, o reaquecimento da Terra teve consequências em todos os lugares, mas impactou positivamente muito mais algumas regiões geograficamente melhor localizadas, nas latitudes entre 20º e 35º Norte no mundo antigo, onde a temperatura adequada fez crescer uma variedade de cereais e mamíferos domesticáveis. Favoreceu, dessa forma, o advento da agricultura nestas áreas. Não aconteceu porque as pessoas destas regiões fossem mais inteligentes ou esforçadas; a natureza havia simplesmente lhes dado mais abundância do que em outros lugares. Foi no Crescente Fértil que a Agricultura surgiu, por volta de 7.500 AEC, depois na China e no Paquistão (5.500 AEC) e no México e Peru , e daí, com o desenvolvimento e difusão de técnicas agrícolas, para o resto do mundo. Muita gente há de pensar que, desde o surgimento da agricultura no oeste da Ásia — e a reboque dela, de grandes cidades-estados e civilizações avançadas — que o Ocidente ...

A supremacia do Ocidente sobre o resto do mundo. O que explica esse fenômeno? (1/2)

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Q uase 16 anos depois do que é conhecido como o “ maior atentado terrorista de todos os tempos ”, fruto, em grande parte, do relacionamento historicamente hostil entre o Ocidente e o resto do mundo, nos propusemos a debater o 11 de Setembro e seus antecedentes por um outro ângulo: por que o Ocidente domina o mundo, às vezes de forma violenta, gerando ódios que resultam em atentados e guerras? Superioridade racial, como pensam alguns? Democracia desenvolvida? Tecnologia avançada? Missão divina? Nada disso. A resposta pode estar simplesmente na geografia. “Eu estou usando suas roupas, falo sua língua, assisto a seus filmes, e hoje é a data que é porque você determinou que fosse assim.” Shad Faruki , advogado malaio a Martin Jacques, jornalista britânico, numa entrevista em 1994 Terça-feira, 11 de setembro de 2001. Naquela manhã, nos Estados Unidos, aviões são jogados nos prédios do World Trade Center e no Pentágono (um quarto avião com destino ao Capitólio foi abatido antes do al...

Ilhas Malvinas: 35 anos depois da guerra, ainda sem solução

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D esde o século XVII que as ilhas descobertas a 500 Km da costa atlântica da América do Sul — e a 14 mil Km do Reino Unido — causam controvérsias entre espanhóis e ingleses, e depois entre estes e os argentinos. Há quase 180 anos — desde janeiro de 1833 —, depois de algumas pequenas disputas sobre o território, a Inglaterra envia uma fragata e anuncia a ocupação destas ilhas pelo Império Britânico, chamadas de Malvinas por argentinos e Falkland por ingleses. Malvinas ou Falkland   Visualizar Ilhas Malvinas em um mapa maior   Quando os militares brasileiros tomaram o poder político à força em 1964, foi possível conhecer a posição ideológica de quem se pronunciava sobre o assunto, pela forma que classificava o ato. Revolução ou Golpe ? A disputa sobre quem tem razão no caso das ilhas sul-americanas gera uma situação semelhante: é possível saber a visão sobre a questão das ilhas somente observando como as pessoas as nomeiam. Aqui eu chamo as ilhas de Malvinas , e não F...

Quando a música se presta a fins abomináveis

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A “arte das musas”, ou simplesmente a música , é, sem dúvida, uma das criações mais sublimes do homem. Talvez não existam grupamentos humanos, clãs, tribos ou civilizações ao longo de toda a jornada humana neste planeta que não tenham suas próprias músicas, seja como forma de arte, como forma de transmitir valores, ou como forma de entrar em contato com o sagrado.   Mas infelizmente, muitas invenções humanas que na sua essência tinham princípios nobres, ao longo do tempo foram sendo corrompidas para fins espúrios. É claro que a música não iria escapar a esta perversa tendência humana.   Não cabe aqui uma complexa e profunda análise da história da música em todos os seus gêneros e subgêneros, apenas um pequeno panorama histórico a partir da ascensão da burguesia no Ocidente para chegarmos até a atualidade e compreendermos a progressiva degeneração da música.   O capitalismo na música Até o final do século XIX, a música era um requinte das classes mais elevadas. A ...

Paulo de Tarso, o primeiro marqueteiro da história

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C om o fim dos conflitos da Segunda Guerra Mundial, o Ocidente experimentou o crescimento de uma economia onde o capitalismo se tornava cada vez mais dominante. Novas empresas, novos produtos, novos utensílios disputavam a atenção dos consumidores num mercado cada vez mais feroz e competitivo. Este terreno fértil propiciou o surgimento do marketing moderno, há 60 anos. No nosso mundo industrializado atual, padronizado e visual, é possível fazer marketing com qualquer coisa, desde o entretenimento até a pesquisa científica. Embora os gurus do marketing moderno pensem ser os pioneiros desta atividade, o que eles não sabem é que, na verdade, foi a Igreja Católica que primeiro inventou os princípios infalíveis de estratégias de mercado, há dois mil anos. É isso que mostra o professor da Universidade La Sapienza de Roma, Bruno Ballardini, especialista em Comunicação Estratégica, no seu livro Jesus lava mais branco: como a Igreja inventou o marketing 1 . Neste trabalho, o autor lança ...

Erasmo de Roterdã: o choque entre o humanismo e a religião

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P aul Johnson, apesar de hoje em dia assumidamente ser um historiador católico da linha conservadora, prima pela honestidade intelectual em relação às suas obras – pelo menos é assim na História do Cristianismo . Nesse trabalho, jamais se mostra constrangido em revelar os artifícios, muitas vezes imorais, dos clérigos, monges, prelados, etc. para a manutenção do poder ao longo do tempo, bem como da degenerescência da Igreja na época das Reformas. É justamente neste período que ele nos dá um panorama das relações entre os eruditos e a Igreja Católica, através do relato da vida de Erasmo de Roterdã , a começar com a sua visita a um santuário em Cantuária, ao lado de John Colet, reitor da Escola de S.Paulo. Uma sociedade em plena mudança Após a visita, Erasmo mais tarde relataria que as riquezas que viu nos adornos do santuário o deixaria profundamente chocado. Para se ter uma ideia, trinta anos depois, o rei inglês Henrique VIII , na esteira da sua reforma, mandaria arrancar dali 140...

Martinho Lutero ou Erasmo de Roterdã? O mundo escolheu errado

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Nos 471 anos da morte de um dos mais influentes pensadores do Ocidente, no próximo 18 de fevereiro, relembramos as  decisivas disputas de sua época, em que a Igreja passava por grandes transformações. Martinho Lutero acabaria vencendo a batalha ideológica pela supremacia do protestantismo e tudo o que ele representa. E o mundo pagaria um preço caro. Q uando a poderosa Igreja Católica começou a ter sua autoridade moral questionada na Europa, por volta do final do século XV, em razão da corrupção e da lassidão de seus líderes, vários foram os pensadores, dentro e fora da própria Igreja, que defenderam reformas na instituição – quando não, a superação da mesma. Dois desses reformadores foram Erasmo de Roterdã e Martinho Lutero. O espírito reformador Erasmo, apesar de profundamente cristão, se opôs ao domínio da Igreja Católica na ciência, na cultura e na Educação. Seguia a linha de tradição de Tertuliano e Pelágio, que consideravam normal que leigos cultos pudessem perfeitamente ...

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