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O fantasma do neoliberalismo está de volta entre nós

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N ão faz muito tempo, no final dos anos 80, na esteira da derrocada da União Soviética, o capitalismo mundial se tornou hegemônico e se sentiu livre para aplicar suas receitas econômicas em favor do mercado ao redor do mundo, através do que o economista sul-coreano Ha-Joon Chang chamou de A Trindade Profana : o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (BIRD) e a Organização Mundial do Comércio (OMC). Essas instituições passaram então a condicionar empréstimos e acordos com os países em desenvolvimento à aplicação obrigatória do receituário que ficaria conhecido como neoliberal : regulação mínima do Estado na esfera econômica; redução da mediação da relação entre trabalho e capital; privatização massiva de empresas estatais; medidas que visam abrir a economia nacional ao mercado internacional, com o fim das tarifas protetoras, entre outras medidas. A América Latina serviu, durante os anos 90, como laboratório dessas medidas. Durante anos, as populações pobres e trabalhador...

Vencer o golpe e contra-atacar: Regulação Econômica da Mídia

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N ão é de hoje que as mídias brasileiras estão fazendo um jogo político descarado contra o governo. Pra ser modesto, vamos pegar apenas o período em que a presidenta Dilma vence as eleições com uma pequena margem, em 2014. Desde estão, a principal delas, as Organizações Globo, tornaram-se porta-vozes oficiais da oposição tucana-peemedebista. Sua principal emissora vem reforçando as sandices de quem não aceitou a derrota até agora, para tirar de qualquer maneira a presidenta do poder, como, por exemplo — numa linha cronológica — a recontagem de votos, novas eleições, reprovação das contas, baixa popularidade, cancelamento da legenda, irresponsabilidade fiscal, renúncia, novas eleições novamente e, por fim, esse Impeachment absurdo. Tudo isso com a rede Globo atuando descaradamente como inflamadora dos ânimos, propagadora de protestos, dividindo o país entre bons e maus, elevando figuras duvidosas a status de ídolo nacional, apenas por investigar políticos preferencialmente do PT, c...

O que a Lava Jato e os Panama Papers têm em comum

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O novo escândalo internacional envolvendo artistas, esportistas e políticos do mundo inteiro são os documentos vazados da empresa panamenha Mossack Fonseca e publicados no jornal alemão Sueddeutsche Zeitung . Tratam-se de milhões de documentos confidenciais que denunciam a prática preferida dos ricos e poderosos: sonegar bilhões de dólares em impostos em paraísos fiscais através de lavagem de dinheiro. No Brasil, chegamos a 2 anos da  principal investigação de corrupção política dos últimos tempos: a chamada Operação Lava Jato já prendeu empresários e políticos. Mas algumas das atividades desta averiguação policial têm deixado suspeitas na opinião pública. Primeiro pela nítida ilegalidade de algumas das ações, como vazamento seletivo de denúncias, grampo telefônico em escritórios de advogados particulares, em pessoas com foro privilegiado… A nítida impressão que fica é que todas as 24 operações até agora realizadas tiveram como único foco um determinado partido e seus líderes,...

A última dos golpistas: eleições gerais pra presidente e vice

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T entaram de todas as formas implicar a presidente em algum envolvimento nos escândalos da Lava Jato. Nada apareceu de concreto; depois, inventaram que as “pedaladas fiscais” constituíam crime de responsabilidade, tese que foi magistralmente desmoralizada por José Eduardo Cardozo na defesa da presidenta; então passaram a alegar que era preciso ouvir a voz das ruas para derrubar Dilma, como se isso constituísse motivo suficiente para um Impeachment; e por fim, tendo fracassado todas as manobras, a nova tentativa de golpe passa por simples eleições gerais, para presidente e vice, com base sabe-se lá em que novas falácias. Um bloco de nove senadores do PPS, do PSB e da Rede vieram com essa nova ideia descarada, querendo aproveitar as eleições municipais deste ano para realizar nova eleição presidencial na base do tapetão. Bastaria uma emenda constitucional e pronto, que se dane as leis, os mandatos, os votos… O Brasil entraria em paz com um novo presidente e um novo vice. Mas com este m...

Uma utopia: e se as Forças Armadas realmente defendessem a lei e a ordem agora?

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E stá lá na Constituição Federal de 88, em vigor atualmente, no seu artigo 142, Capítulo II, “Das Forças Armadas” sobre as prerrogativas que cabem aos militares nas questões internas e externas: As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem . (grifo meu). Os militares lutaram por esta prerrogativa na Constituinte que, na verdade, é de polícia , qual seja, a defesa da lei e da ordem interna . Em grande parte do mundo, as Forças Armadas são a força de reserva das polícias em questões internas, e não o contrário, como historicamente acontece no Brasil. Saiba mais: Garantir a “lei e a ordem”, papel das Forças Armadas? São os militares das FF.AA., portanto, que decidem...

“Guerra Híbrida”: a crise brasileira num contexto mais amplo

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P or estarmos direta e emocionalmente envolvidos com a crise político-econômica que se instalou no Brasil, às vezes fica difícil expandir o olhar, tirar o foco das coisas imediatas do noticiário e focalizar o problema dentro de um contexto maior, inseri-lo numa longa duração, conectando-o com outros fatos determinantes da conjuntura internacional. Mas sem esse olhar mais afastado, dificilmente entenderemos os interesses que estão por trás desses transtornos por que temos passado no Brasil. Com a ajuda de especialistas e analistas políticos como Pepe Escobar , que escreve para grandes portais de internet, podemos chegar a uma explicação convincente. Muitos de nós já estamos bastante familiarizados com o conceito de revolução colorida , que se iniciou nos anos 2000 nos países recém-independentes que faziam parte da antiga União Soviética, e que tiveram crises políticas que favoreceram o estabelecimento de governos pró-Ocidente — leia-se, pró-Estados Unidos — com o apoio dos serviços s...

O Economicismo na análise social do Brasil

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N esta última postagem da série que vem analisando, até aqui, o último livro publicado pelo sociólogo brasileiro Jessé Souza, A Tolice da Inteligência Brasileira , vamos analisar uma das vertentes que o autor critica em sua publicação, juntamente com o culturalismo conservador, por não contribuir com um melhor entendimento sobre as questões mais profundas dos problemas brasileiros: o economicismo . O economicismo de cunho marxista Segundo Jessé, “o economicismo é a crença explícita ou implícita de que o comportamento humano em sociedade é explicado unicamente por estímulos econômicos” (p.109, grifo meu). Segundo o sociólogo de vertente weberiana, tanto as correntes liberais quanto as marxistas de cientistas sociais e economistas ajudam a disseminar essa falsa ideia no senso comum, ajudando a ocultar outros fatores mais decisivos na explicação dos problemas sociais. O autor analisa, de forma mais contundente, o trabalho de dois autores marxistas: Francisco de Oliveira e seu livro...

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