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É o fim da Era Vargas

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D emorou quase 80 anos, mas finalmente as elites nacionais conseguiram destruir o legado daquilo que ficou convencionalmente conhecido como “getulismo” no século XX. Depois de um suicídio em 54, duas tentativas de impedimento de assumirem a presidência da República (uma de Juscelino em 55 e outra de Jango em 61), conspirações, um golpe militar em 64, uma ditadura, um governo neoliberal nos anos 90, finalmente o golpe final no legado de Getúlio Vargas foi dado de forma direta: a proteção social da Previdência e a Consolidação das Leis do Trabalho foram destruídas. Para isso, é claro, duas condições primordiais foram decisivas. Um governo ilegítimo e uma esquerda enfraquecida ao mesmo tempo. Em 54, Getúlio Vargas já sofria as pressões de uma classe dominante reacionária e mesquinha, infiltrada em setores diversos como as Forças Armadas, a Igreja Católica, o empresariado e a imprensa. Seu suicídio serviu como ato político que mobilizou o país, assustou a direita e refreou sua ...

O caso IG Farben: genocídio judeu em nome do lucro na II Guerra

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A té que ponto devemos compreender empresas privadas que cooperaram com o massacre de milhões de seres humanos na Alemanha nazista? Terão sido também vítimas do sistema, sem escolha, a não ser fazer parte da máquina de matança do Terceiro Reich? Ou foram oportunistas imorais? E seus funcionários? Culpados ou inocentes? Aqueles que cumpriram a pena imposta pelo Tribunal de Nuremberg depois da Guerra, limparam seus nomes perante a sociedade ou carregarão para sempre a marca da infâmia? Todas estas perguntas são difíceis de responder. Algumas empresas alemãs precisam conviver com estes dilemas em sua história. As indústrias químicas alemães no final da Segunda Guerra já haviam chegado a níveis abissais de desumanidade. Dentre elas, a IG Farben , um conglomerado de empresas alemães que na época era a quarta maior empresa do mundo. Durante a Segunda Guerra, ela passou a produzir borracha sintética para atender a demanda do exército nazista – e para isso, não se furtou a usar trabalho escr...

Como a publicidade ataca a democracia

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S e existe um lugar onde o pensamento dominante de uma sociedade pode ser mais bem propagado, esse lugar é na imprensa . Numa sociedade capitalista como a nossa, onde a democracia não passa de uma fachada para ocultar a manutenção de privilégios de uma classe cujo poder econômico é colossal, as mídias atuam na construção e manutenção de um modelo único de pensamento, com diversas maneiras de vetar, desacreditar ou ocultar modelos de mundo rivais aos seus, que venham a contestar esse tipo de realidade. Um desses métodos se dá através da publicidade e do financiamento de projetos na área da Comunicação, que coincidam com as visões políticas e econômicas das classes dominantes. Métodos de controle da sociedade A sociedade industrial burguesa foi moldada para o controle da opinião pública , desencorajando ideias ou reivindicações de reforma ou mudanças de sistema. Tendo como modelo os Estados Unidos, berço do marketing e da publicidade que forja uma democracia de espectadores/consum...

A supremacia do Ocidente sobre o resto do mundo (2/2)

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N o final da última Era Glacial, há aproximadamente 12 mil anos, o reaquecimento da Terra teve consequências em todos os lugares, mas impactou positivamente muito mais algumas regiões geograficamente melhor localizadas, nas latitudes entre 20º e 35º Norte no mundo antigo, onde a temperatura adequada fez crescer uma variedade de cereais e mamíferos domesticáveis. Favoreceu, dessa forma, o advento da agricultura nestas áreas. Não aconteceu porque as pessoas destas regiões fossem mais inteligentes ou esforçadas; a natureza havia simplesmente lhes dado mais abundância do que em outros lugares. Foi no Crescente Fértil que a Agricultura surgiu, por volta de 7.500 AEC, depois na China e no Paquistão (5.500 AEC) e no México e Peru , e daí, com o desenvolvimento e difusão de técnicas agrícolas, para o resto do mundo. Muita gente há de pensar que, desde o surgimento da agricultura no oeste da Ásia — e a reboque dela, de grandes cidades-estados e civilizações avançadas — que o Ocidente ...

A supremacia do Ocidente sobre o resto do mundo. O que explica esse fenômeno? (1/2)

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Q uase 16 anos depois do que é conhecido como o “ maior atentado terrorista de todos os tempos ”, fruto, em grande parte, do relacionamento historicamente hostil entre o Ocidente e o resto do mundo, nos propusemos a debater o 11 de Setembro e seus antecedentes por um outro ângulo: por que o Ocidente domina o mundo, às vezes de forma violenta, gerando ódios que resultam em atentados e guerras? Superioridade racial, como pensam alguns? Democracia desenvolvida? Tecnologia avançada? Missão divina? Nada disso. A resposta pode estar simplesmente na geografia. “Eu estou usando suas roupas, falo sua língua, assisto a seus filmes, e hoje é a data que é porque você determinou que fosse assim.” Shad Faruki , advogado malaio a Martin Jacques, jornalista britânico, numa entrevista em 1994 Terça-feira, 11 de setembro de 2001. Naquela manhã, nos Estados Unidos, aviões são jogados nos prédios do World Trade Center e no Pentágono (um quarto avião com destino ao Capitólio foi abatido antes do al...

Ilhas Malvinas: 35 anos depois da guerra, ainda sem solução

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D esde o século XVII que as ilhas descobertas a 500 Km da costa atlântica da América do Sul — e a 14 mil Km do Reino Unido — causam controvérsias entre espanhóis e ingleses, e depois entre estes e os argentinos. Há quase 180 anos — desde janeiro de 1833 —, depois de algumas pequenas disputas sobre o território, a Inglaterra envia uma fragata e anuncia a ocupação destas ilhas pelo Império Britânico, chamadas de Malvinas por argentinos e Falkland por ingleses. Malvinas ou Falkland   Visualizar Ilhas Malvinas em um mapa maior   Quando os militares brasileiros tomaram o poder político à força em 1964, foi possível conhecer a posição ideológica de quem se pronunciava sobre o assunto, pela forma que classificava o ato. Revolução ou Golpe ? A disputa sobre quem tem razão no caso das ilhas sul-americanas gera uma situação semelhante: é possível saber a visão sobre a questão das ilhas somente observando como as pessoas as nomeiam. Aqui eu chamo as ilhas de Malvinas , e não F...

Quando a música se presta a fins abomináveis

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A “arte das musas”, ou simplesmente a música , é, sem dúvida, uma das criações mais sublimes do homem. Talvez não existam grupamentos humanos, clãs, tribos ou civilizações ao longo de toda a jornada humana neste planeta que não tenham suas próprias músicas, seja como forma de arte, como forma de transmitir valores, ou como forma de entrar em contato com o sagrado.   Mas infelizmente, muitas invenções humanas que na sua essência tinham princípios nobres, ao longo do tempo foram sendo corrompidas para fins espúrios. É claro que a música não iria escapar a esta perversa tendência humana.   Não cabe aqui uma complexa e profunda análise da história da música em todos os seus gêneros e subgêneros, apenas um pequeno panorama histórico a partir da ascensão da burguesia no Ocidente para chegarmos até a atualidade e compreendermos a progressiva degeneração da música.   O capitalismo na música Até o final do século XIX, a música era um requinte das classes mais elevadas. A ...

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