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Resenha: O Brasil não cabe no quintal de ninguém

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Ilustração da capa do livro de Paulo Nogueira R ecentemente, em entrevista ao portal 247 , o economista Paulo Nogueira Batista Júnior foi perguntado sobre o título de seu mais novo livro: " O Brasil não cabe no quintal de ninguém ".  Por conta do momento, eu diria, mais subserviente, adulador e capacho de um governo brasileiro ao imperialismo estadunidense como jamais visto, o seu editor perguntou brincando, segundo o relato do autor, se aquele não seria um título mais cabível a um livro de ficção .  E pensar que, menos de 10 anos atrás, era tudo muito diferente... É esta a sensação que revivemos ao lermos o citado livro de Paulo Nogueira, que nos mostra o momento de um Brasil grande, respeitado, de cabeça erguida perante o mundo, credor do FMI e motor dos BRICS. Paulo fora diretor executivo da cadeira brasileira do Fundo Monetário Internacional durante o segundo mandato do presidente Lula e o primeiro da Dilma, tendo participado de discussões de reformas importantes na inst...

Surpresa: programas "assistencialistas" têm raízes na tradição liberal

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Q uando o movimento LGBTQIA+ começou a ganhar força e protagonismo, uma de suas bandeiras mais fortes foi a campanha para que as pessoas parassem de se referir ao seu modo de vida como " homossexualismo  " —pela carga negativa que o sufixo " ismo " carrega —, induzindo-nos a preferir o uso do termo " homossexualidade ". E eles estavam certos, afinal, sabemos como o uso maldoso da linguagem pode reforçar estigmas sociais. Falando agora de política, algo de similar ocorreu durante muito tempo nessa área, pelo menos nos últimos 15 anos com relação a um específico programa social: toda a política de transferência de renda que foi patrocinada pelos governos Lula e Dilma eram tachados de " assistencialismo ", exatamente, como se houvesse ação inerentemente dolosa de um político em usar a máquina pública em favor dos mais necessitados (paternalismo) para produzir políticas públicas em favor dos pobres (populismo).  Estas práticas só tem todos esses ...

Esquerda defendendo sites de extrema-direita bolsonaristas?

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Ministro Alexandre de Moraes determina retirada de perfis bolsonaristas R ecentemente o site Disparada — ao que tudo indica, ligado ao cirismo pedetista — lançou um artigo em que o jornalista Renato Zaccaro questiona a decisão do ministro do Supremo (STF), Alexandre de Moraes, de mandar tirar do ar perfis de redes sociais ligados ao bolsonarismo .  Em sua postagem, ele pergunta " e quando formos nós? ", antecipando que o mesmo STF poderá tomar a mesma atitude " autoritária " contra sites e perfis de esquerda se algum momento a esquerda "radical" chegar ao poder.  Ora, a esquerda definitivamente precisa parar com esta atitude de apoiar incondicionalmente, mesmo que indiretamente neste caso, o lado inimigo em nome da defesa das quimeras burguesas, da fantasia democrática e das instituições do status quo . Essa postura, além de não contar jamais com a reciprocidade do lado de lá da trincheira ideológica, coloca as esquerdas numa redoma de atuação comporta...

Devemos ou não "desejar" a morte de Bolsonaro

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"Aqui se faz, aqui se paga"? E sse tema tem sido levantado devido à repercussão, nas redes sociais, da notícia de que o presidente Jair Bolsonaro testou positivo para covid-19.  A partir de então, milhares de pessoas comentaram de forma talvez irônica, talvez séria, que estão torcendo para a morte do presidente. Por outro lado, surge uma campanha dentro da própria esquerda de viés liberal condenando tal atitude. Afinal, devemos ou não devemos "torcer" pela morte de Bolsonaro?  Acredito que o problema esteja na formulação da questão. Os termos "desejar" ou "torcer" pela morte de alguém carregam uma conotação de reprovação bastante moralista cristã, como se isso definisse o nosso mal-caratismo. Segundo essa vertente, "não se deve torcer pela morte nem do nosso pior inimigo". Recentemente, a nova estrela do liberalismo politicamente correto, Gabriela Priori , lançou um tweet afirmando que quem deseja a morte de um desafeto se equipara a...

Desrespeito à quarentena por classes sociais

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Primeiro dia de abertura de bares e restaurantes no Rio O s jornais da TV têm mostrado, recentemente, cenas dos boêmios da Zona Sul carioca desfrutando de bares e restaurantes noturnos, no primeiro dia de liberação destes estabelecimentos pela prefeitura. Antes, tais desleixos com relação ao necessário isolamento social eram vistos frequentemente nas periferias, gerando críticas e indignação da sociedade de forma geral.  Imagine a situação: o Brasil atingindo recordes de internação e mortes por conta do coronavírus, e o povo saindo às ruas tranquilamente, aproveitando até shopping que permite a entrada de veículos , como no interior de São Paulo.  Será que o brasileiro enlouqueceu?  Na verdade eu acredito que existam explicações para cada um dos casos, ou seja, o desrespeito ao isolamento tanto nas altas classes médias quanto nas periferias pobres. Na falta de verba para uma pesquisa de opinião científica, resta-nos uma análise que embora seja de caráter especulativo, lan...

"Alfred Rosemberg" do bolsonarismo, Olavo fez que foi e acabou ficando no governo

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Olavo de Carvalho recebeu um bagarote do velho da Havan e mudou de ideia T erminei recentemente de ler um livro, O Diário do Diabo , de David Kinney e Robert K. Wittman, que conta, na primeira parte, da saga do diário que Alfred Rosenberg , o ideólogo do nazismo, manteve durante os anos de III Reich, e que durante muito tempo tinha seu paradeiro desconhecido. A seguir, o livro conta a história do advogado judeu que fugiu da Alemanha nazista, foi parar nos Estados Unidos e por conta de uma perseverança ferrenha, acabou se tornando o promotor representante estadunidense no Tribunal de Nuremberg, ajudando a condenar diretamente seus antigos algozes. Rosenberg pagou por seus crimes sendo enforcado, mas o que nos interessa aqui foi como ele se tornou o ideólogo de uma doutrina assassina e insana. Germânico estoniano, foi para Munique logo após o final da Primeira Guerra, momento exato em que as conjunturas estavam reunindo um bando de insanos, ressentidos, bêbados, veteranos d...

Fundação Ford: como os Estados Unidos criaram as condições para a ascensão da extrema-direita

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Henry Ford, fundador da companhia de automóveis e da fundação que leva seu nome O fim da Segunda Guerra Mundial trouxe como legado para o mundo uma economia mais equilibrada, fruto do maior controle estatal sobre os desmandos das competições desenfreadas do mercado livre — o mesmo que nos levou a sucessivas crises e conflitos no começo do século XX, como a Grande Depressão de 1929 e a duas Grandes Guerras. Esse período que, curiosamente, coincide em grande parte com o da Guerra Fria, ficou conhecido como os Trinta Anos de Ouro . Mas os grandes capitalistas financeiros, colocados na coleira, não estavam satisfeitos. Apenas se resignaram diante da inequívoca evidência de que o liberalismo econômico sem controle leva a consequências perigosas. Isso, pelo menos, até a primeira grande crise do modelo pós-guerra, no começo dos anos 70. Uma série de fatores nesse período iria contribuir para o renascimento dos grandes capitalistas, que, agora chamados de neoliberais , saíram de novo...

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