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Os protestos de junho de 2013 e os de 2019. Lições que devem ser aprendidas

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Em 2013, o movimento do Passe Livre acabou perdendo as rédeas dos protestos por conta da aposta na horizontalidade da direção. Esse erro não pode ser repetido E u sou a prova viva de que, para se compreender um fenômeno social, é preciso haver um distanciamento do objeto de análise, para que se possa enxergar detalhes que não eram acessíveis, ou perceptíveis, no calor dos acontecimentos. No caso da história, o distanciamento é temporal. Em 2013 eu participei, no Rio de Janeiro, das chamadas Jornadas de Junho , aquela série de protestos que colocaram milhões de pessoas nas ruas do país, e que, até hoje, os analistas se desdobram para entender. Na época eu pensava estar participando de um protesto popular contra o aumento das passagens de ônibus na cidade que houvera mudado espontaneamente para um protesto mais amplo, nacional. Mas eu estava redondamente enganado. Apesar do relativamente curto espaço de tempo que se passou desde então, já é possível fazer, como fizera muito be...

Elites capazes de destruir um país para manter seus privilégios

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Nesta "Belíndia" chamada Brasil, autossabotagem e destruição em favor de uma minoria de privilegiados R ecentemente, o presidente Jair Bolsonaro deu com a língua nos dentes num programa de rádio e revelou a todo o país uma das alianças mais espúrias de que se tem notícia dos últimos tempos: o juiz Sérgio Moro, responsável direto pela condenação questionável do ex-presidente Lula — impedindo a  um candidato favorito o direito de se candidatar e consequentemente vencer a eleição — aceitou o cargo de ministro no governo que ele indiretamente ajudou a eleger, sob a condição de ser nomeado para o Supremo Tribunal Federal (STF). Ver um homem que foi idolatrado por ser uma espécie não de juiz, mas de justiceiro contra corruptos, ao lado de um presidente atolado em suspeitas de mal feitos na política, junto com seus filhos e de vários membros do governo, não deveria surpreender ninguém. A política é tradicionalmente o fórum das elites, e todos eles têm missões a cumprir em n...

O problema não é Bolsonaro. É o capitalismo

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Bolsonaro é apenas o gerente da vez do capital. Por trás do seu governo desastroso, existem interesses claros de desmanche do Estado e de direitos dos trabalhadores É verdade, o Brasil tem passado pelo maior desafio da sua história republicana. Jamais um presidente foi tão descaradamente atuante em favor dos preceitos do mercado capitalista — e, claro, dos homens poderosos de carne e osso por trás desse conceito abstrato — como o Sr. Jair Messias Bolsonaro. Bolsonaro e seu superministro Paulo Guedes têm uma missão clara a cumprir: promover o desmonte total do insuficiente Estado brasileiro, sob as mais diversas cortinas de fumaça como alegação: desde a velha falácia da corrupção, passando por uma suposta doutrinação marxista que contamina as instituições. O que esses agentes do capitalismo nacional e internacional estão fazendo é levar às raias inauditas do extremismo uma situação corriqueira neste gigante país, que não se desfaz de suas amarras coloniais. Sem contar a Primei...

Preço do diesel, caminhoneiros e (falta de) consciência de classe.

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Caminhoneiros que apoiaram Bolsonaro sofrem previsivelmente das consequências de um governo a favor dos ditames do mercado O Brasil vive a expectativa de uma nova greve dos caminhoneiros autônomos para o próximo dia 29 de abril. A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) afirma em nota que o novo anúncio do aumento do diesel deixou os motoristas " enfurecidos " com o governo. Governo este, lembremos, festejado pela categoria. Tanto que não existe ainda certeza da greve. O presidente do Sindicato Interestadual dos Caminhoneiros, José Natan Neto , afirmou que " o pessoal [os caminhoneiros] gosta do Bolsonaro, e estão esperando para ver se virão medidas para melhorar ". Nada demonstra com mais clareza do que este tema, o quanto a total incapacidade de análise básica político-econômica, aliado a um desconhecimento total da consciência de classe , pode gerar de danos auto-infligidos a uma categoria de trabalhadores. Ao eleger um candida...

Bolsonaro vai perder a chance de entrar num museu pela primeira vez na vida

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Pressão de funcionários e pessoas influentes funciona, e museu de Nova Iorque veta homenagem a Bolsonaro em suas dependências J air Bolsonaro não vai passar " Uma noite no museu ", como no filme hollywoodiano . Se, por um lado, os novaiorquinos perderão a chance de ver pessoalmente um espécime humanoide pouco mais desenvolvido do que um neandertal em carne e osso no Museu Americano de História Natural (AMNH na sigla em inglês), por outro serão poupados do constrangimento de abrigar, num dos maiores templos mundiais da ciência, um negacionista , crente em teorias conspiratórias imbecis de internet e difusor de fake news . Foi tamanha a pressão, de dentro e de fora do museu, para que o evento, que seria sediado no prédio, fosse cancelado, que funcionou. Esta semana os diretores do museu anunciaram que o jantar que a Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos faria no local em homenagem ao presidente brasileiro teria que ocorrer em outro local. A desculpa apresentada...

2019 não tem sido fácil

Sucessão de tragédias nesse ano de 2019 começou bem antes, com o descaso das autoridades em vistoriar e punir tudo o que coloca a vida em risco no Brasil E ssas últimas semanas não têm sido fáceis para nosso país. Uma sucessão de tragédias ocorreram e deixaram a população brasileira em estado de perplexidade e luto , pelas mais diversas razões. Seja na política , com as medidas draconianas previstas para serem postas em prática, seja por afirmações totalmente ridículas proferidas por membros do alto escalão do governo, ou por tragédias misturadas com descaso das autoridades, o fato é que parece que o Brasil vive um pesadelo sem fim desde que este ano começou. Minas e Rio de Janeiro parecem ser o palco dos principais eventos. Depois da queda da barragem de Mariana , agora Brumadinho , três anos depois, sofre mais uma vez com esse tipo de desastre. A Vale , empresa de mineração que foi privatizada criminosamente no governo de Fernando Henrique Cardoso, resolveu desinvesti...

Mundo conhece Bolsonaro e reações vão de surpresa a decepção

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A participação de Bolsonaro em Davos provocou diversas reações negativas entre jornalistas e especialistas em diplomacia no mundo.  Bolsonaro almoça sozinho em Davos. O retrato de alguém que ninguém quer por perto D esde ontem, com sua participação esdrúxula no Fórum de Davos , o mundo passou a conhecer melhor o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro . E ele não decepcionou. Quer dizer, decepcionou muito, mas foi exatamente aquilo que as pessoas estavam esperando: um fiasco . E isso ficou bastante claro nas manchetes dos principais jornais do mundo hoje, resumido na descrição " big fail " (ou " grande fracasso " em tradução livre). Nunca um político discursou por menos do que 10 minutos. Bolsonaro resumiu o seu em apenas 6. Não que não tivesse muitas dúvidas a esclarecer aos participantes, mas, no entanto, escolheu falar pouco para errar o mínimo. E ainda assim errou bastante. O mercado financeiro , o grande anfitrião de Davos , reagiu de forma negativa, e o...

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