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Quarentena: por que as pessoas lidam tão mal com o tempo livre

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R ecentemente, no programa Papo de Segunda , no canal GNT, o rapper Emicida  levantou uma questão bastante controversa a respeito do que fazer nesta prolongada quarentena, criticando a suposta obrigação de produzir até no descanso, citando o chamado ócio criativo . Na chamada do Facebook do canal para o vídeo do comentário do artista, podia-se ler: "Emicida se manifesta contra a ideia do ócio criativo na quarentena, que pressiona [sic] as pessoas a produzirem e aprenderem mais". " Ócio criativo " se tornou um jargão muito popular no mundo, mas poucas pessoas aplicam o termo de forma precisa, ou realmente pararam para ler o autor desta teoria, Domenico de Masi , para entender realmente o seu conceito. Não sei se foi o caso de Emicida. Intuitivamente ele até defende corretamente o ócio por si mesmo no seu comentário, mas, criticando o fato da "criatividade" ser uma suposta obrigação , se confunde no entendimento do conceito.  De Masi não foi o primei...

Caso 3M: quando uma transnacional pode desafiar o Estado mais forte do mundo

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D urante muito tempo, a força dos Estados nacionais era incontestável no mundo que começou a emergir junto com a Revolução Francesa . No entanto, naqueles fins de Segunda Guerra Mundial , no século XX, eles começaram a experimentar um declínio que é, hoje, explícito perante os nossos olhos. Trump e a 3M Em tempos de pandemia mundial como a que estamos vivendo, coube ao presidente do Estado mais forte e poderoso do último século no mundo — os Estados Unidos — evocar uma lei nacional dos anos 50, a Lei de Produção para a Defesa, ou " P Act ",  para obrigar empresas privadas, como as de automóvel, a produzir respiradores mecânicos e uma outra, a 3M , a parar de exportar máscaras hospitalares para o Canadá e a América Latina, para beneficiar o estadunidense local. De todas as famosas empresas automobilísticas estadunidenses, apenas a GM parece disposta a acatar o pedido de Donald Trump; já a 3M declarou abertamente que não vai cumprir a determinação, coisa impens...

O viralatismo do governo brasileiro nunca foi tão constrangedor

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A Guerra Fria trouxe consigo uma consequência que pesa até hoje na questão da nossa soberania — pra não dizer da nossa autoestima . A participação do Brasil na II Guerra Mundial representou um alinhamento das nossas elites, através das Forças Armadas , com o ideal de mundo liberal estadunidense. A partir daí, na cabeça de nossas classes dominantes, criou-se o mito de que o que era bom para os Estados Unidos era bom para o Brasil . Nada mais falacioso. A Guerra Fria se foi e a dependência sentimental, econômica e ideológica do Brasil (leia-se, na verdade, um sentimento de xenofilia de uma parcela da alta elite que influencia o comportamento de parte da classe média) em vez de diminuir, parece que aumentou. O PSDB foi o principal partido que, na política institucional, a partir dos anos 90, acampou o maior número de políticos dispostos a representar interesses das altas classes alinhadas com os Estados Unidos no nosso território. O neoliberalismo econômico , fruto dos ideais...

Idosos no Brasil: vítimas do coronavírus, vítimas da sociedade

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U ma das consequências da grave pandemia de coronavírus que ora se alastra descontroladamente pelo mundo, é a grande exposição dos idosos. E não apenas no sentido de serem noticiados como as vítimas principais do patógeno, mas também como alvos de severas críticas  neste momento de crise. Quem tem por volta de trinta e cinco anos ou mais, como eu, há de se lembrar do famoso seriado A Família Dinossauro . Num dos seus episódios, evidencia-se a tradição dos dinossauros de se desfazer de seus idosos no aniversário de 72 anos. Tudo começou, de acordo com o milenar costume jurássico, quando um líder tribal, se sentindo velho, esquecido e inútil , determinou que a partir daquele momento, todos os idosos daquela idade seriam jogados de um penhasco no " Poço de Piche ".  Uma bela alegoria de como nós, seres humanos, especialmente do Ocidente, tratamos nossos idosos.  Ou nós também não achamos que nossos pais e avós, depois de atingir uma certa idade avança...

Falta de respeito com a quarentena em Cabo Frio-RJ

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D e manhã cedo, a prefeitura de Cabo Frio-RJ interditou o acesso à praia bloqueando as passagens na praia do Forte com fitas iguais àquelas que se usam em locais de crimes. Seria suficiente para uma população educada e ciente do grave problema que passamos. Mas não para certos idiotas. No momento em que o Brasil registra o crescimento exponencial de casos do novo coronavírus (já são mais de 600 confirmados hoje, ainda muito longe da previsão de ápice) banhistas rompem o lacre e vão se reunir na praia interditada nesta manhã. Fonte das imagens E assim continuam frequentando igrejas lotadas, por exemplo, colocando em xeque a quarentena e potencializando os riscos de pandemia no Brasil. Esses episódios dão a medida do quanto precisamos evoluir enquanto comunidade. Ainda somos crianças que precisam ser tuteladas pelas autoridades. E muitas vezes punidas.

O Incêndio no Ninho e o jornalismo como arma política da Globo

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N este fim de semana completou-se um ano do trágico acidente envolvendo jovens da base no Centro de Treinamentos do Flamengo, o chamado Ninho do Urubu . Em meio a diversas homenagens e justas cobranças para que os culpados sejam identificados e punidos, aparece agora o súbito interesse das Organizações Globo neste episódio. Passou-se um ano desde o acidente no Ninho do Urubu e não se viu tamanha cobertura jornalística da Rede Globo sobre o incêndio em nenhum momento. Agora, há matérias no Jornal Nacional, no Esporte Espetacular, no Faustão e quem sabe mais onde esse assunto será tema especial daqui pra frente. Essa cobertura estranha me fez lembrar um outro episódio. Em 1989, nas vésperas da eleição presidencial, as Organizações Globo estavam em pleno horror pelo favoritismo de Lula e Brizola . E então, em questão de meses, colocaram todo seu aparato midiático a favor de um até então ilustre desconhecido governador de Alagoas, que tinha até seu próprio slogan marqueteiro: o...

Conflitos de classes nos hospitais públicos brasileiros

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N unca a imagem dos médicos esteve tão arranhada no Brasil. Nem tanto pela recente oposição desses profissionais à vinda de colegas estrangeiros ao país, para cobrir o enorme déficit de médicos pelo interior – onde se recusam a trabalhar, sob as mais variadas desculpas –, mas pelos inúmeros casos de frieza, descaso, faltas, fraudes em plantões, negligência e indiferença que vieram à tona por todos os lados – e que fizeram até o Ministério da Saúde dizer recentemente que era preciso “ humanizar ” os profissionais no trato com seus pacientes. No seu livro já bastante citado por aqui, A Ralé Brasileira – Quem é e como vive , o professor Jessé Souza abre espaço na segunda parte da obra aos autores colaboradores, como Lara Luna , doutoranda em Sociologia Política pela UENF, que traz casos reais daquilo que Jessé trata teoricamente na primeira parte do livro: as diferenças e preconceitos de classes que se refletem dentro das diversas instituições – aqui, no caso, nos hospitais público...

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